sábado, 10 de fevereiro de 2007

CRÔNICA: Deus Oprimido e a Barbárie

Antigamente aproveitavam-se do pouco conhecimento científico das pessoas e ensinava-se um "Deus Castigador" (ou um "Deus Opressor", vou assim dizer): Deus que obrigava as pessoas a obedecê-lo, caso contrário, sofreriam agruras e intermináveis conseqüências. Mas a questão crucial da religião não é a paz? A harmonia entre os irmãos, que são todos de "única oridem"? Detalhes colocavam medo na população dos idos. Falo isso pelos fatos históricos. Entretanto, hoje em dia, passa-se a observar o contrário: um "Deus Oprimido". As pessoas já não tem mais medo, pois já não temem mais a Deus, nem à "Morte". Nem pensam nas conseqüências de suas ações. Não estou dizendo que o certo seria temermos ou não a Deus, pois não estou proclamando religiosidade, apenas afirmo que o respeito a algo maior está desaparecendo, como poeira ao vento que esvaira-se. A pouco, pudemos observar em diversos meios de comunicação mais um exemplo disto, no Brasil de meu Deus: A barbárie cometida contra o garotinho João Hélio, de apenas 6 anos. A violência é o caos da sociedade (ainda pior: sem medo de punição). Três homens armados, dentre eles um menor, 17, roubaram um carro no bairro Oswaldo Cruz, subúrbio do Rio de Janeiro, no dia 07 do mês em curso, por volta das 21h30. Se fosse apenas mais um roubo de um carro não chamaria tanta atenção, afinal somos bombardeados a todo instante com notícias do tipo: "Roubo de carro na avenida...". Acabamos nos acostumando ou, no mínimo, deixamos a notícia rolar sem dar muita atenção. O fato é que a inocente criança morreu. Entristeço-me profundamente a cada vez que me lembro, mas não há volta. Morreu. Estes três bandidos, na euforia de levar o carro, não sei se perceberam ou não o garotinho enganchado no cinto de segurança. Saíram em alta velocidade. Tudo indica que perceberam, pois diversas pessoas gritavam e acenavam indicando que havia alguém dependurado, sendo arrastado durante todo o sofrido percurso de 7km, por quatro bairros da Zona Norte. 15 minutos: esse foi o tempo em que João Hélio foi arrastado, e só não durou mais porque os bandidos entraram em uma rua sem saída e dalí fugiram a pé, deixando-o largado, ainda preso pelo cinto de segurança sem a mínima assistência. Crime absurdo! Absurdo! Isso é, de fato, uma barbárie. Há muitas pessoas perdendo a noção da realidade, a noção da vida. Esquecendo-se de que precisamos uns dos outros. Destruir os outros é destruir a si mesmo, e destruir a vida de uma criança é ainda pior, é destruir a alma. Neste caso, em especial, significou destruir a esperança de uma família inteira. Ao menos a empatia ainda existe, e as tantas pessoas que a possuem, como eu, comoveram-se demais, e comovem-se, ao ver como terminou essa lamentável história da vida real. Será que estes bandidos sentiram suas almas destruídas? Duvido. E isso me leva a pensar em mais uma situação: a da maioridade penal. É uma discussão muito séria. Nossos jovens, a quem ainda depositamos a esperança de um futuro melhor, estão a cada momento oprimindo a proposta de paz e amor que Deus ensinou. Estão impondo as vontades humanas (por que não dizer animais - ou animalescas?), a Ele. Imponto dinheiro no lugar da liberdade, medo no lugar da paz, egoísmo no lugar da solidariedade. Será que a maioridade penal está ineficaz? Será que deve ser diminuída? Afinal, em nossos dias, já se aprende desde muito cedo a roubar e a matar. Sim, os jovens estão ficando cada dia mais insanos. A 'Barbárie nossa de cada dia", que presenciamos a todo instante que passa, é o que resulta em nosso "Deus Oprimido".

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