segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Conto: Infância Perdida

Conto: Infância Perdida


O Tempo. Ele não tem tempo de esperar por ninguém, ele não olha pra trás, porque corre tão intensamente que se esquece de que há momentos bons pra serem lembrados. Há, por isso, razão de olharmos de vez em quando pra trás. Não pra nos arrependermos de algo que não fizemos ou quei fizemos de uma forma que não deveria ser. O Tempo é insensível: ele às vezes não nos oferece escolhas (em diversas situações cotidianas), mas quando oferece, dá apenas uma chance de pensar, de decidir. "É agora ou nunca!" Daí porquê erramos tantas vezes. Somos pegados de surpresa, não podemos calcular nada. Nossa vida geralmente gira em torno desse insensível elemento. O Tempo não tem memória, porque se ocupa com tanta coisa, já que vê tudo numa tão alucinante velocidade sagüínea, que sofre "amnésia". A infância é o melhor exemplo de uma fase da vida em que o Tempo esquece-se, quase que completamente. Ele ainda era pequenino quando entrou na escola, conheceu amiguinhos, partilhou momentos, dividiu o lanche, brincou de esconde-esconde, foi o bobo (ou pato) a pegar a bola, riu, chorou, caiu e levantou, e conheceu novos amigos e novas situações. Mas por que ele não se lembrava de nada disso? E nem de um velho amigo de meninice que veio um dia de contra sua corrida, dizendo: nós brincávamos de "Tempo é o cara mais alegre do mundo"? Ele jogou pequenos palitos (daqueles de "pega-varetas") pro Tempo pegar. Daí viu que o velho amigo tinha carinho por ele, e se emocionaram...E a memória voltou: a amnésia perdeu para a lembrança...Foi preciso que alguém importante cruzasse o caminho do Tempo, fazendo-o parar de correr pra que ele pensasse um pouco mais sobre a vida e olhasse um pouco pra trás, pra lembrar do quanto sua vida foi incrível, e de que seu erros serviram para que ele chegasse onde chegou: mais à frente. Serviram pra que ele aprendesse. A infância perdida do Tempo, de repente foi encontrada. Bastou a interferência positiva de um velho amigo. Bastou um momento epifânico.

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By Junior Magrafil / Termos de Uso.