terça-feira, 24 de abril de 2007

O livro sem capa
(29-01-2007)

Peguei um caderno e comecei a escrever. Nem título botei. Não tive tempo, não tive tempo! Minha mão não parava e o pensamento que em mim surgia não me esperava logo pensar num título apropriado.

Parecia que a ponta da caneta corria, alucinada, e fluíam tão facilmente palavras bonitas, às vezes de lamento, às vezes de dor também.

E era compulsivo escrever. Era preciso. E alguns versos me davam medo. Medo! Irei eu, escrever um livro sem capa, um livro sem título, um livro sem fim? Irei eu, escolher algum dia um belo nome para ele, ou deixarei simplesmente que as palavras escolham sozinhas?

Acho que depois de tantas palavras corridas e uma capa ainda em branco, ou melhor, uma “não-capa”, vou dar um tempo para meu coração cantar. Afinal, é relaxante inventar, recriar uma linda canção, emotiva, mesmo que seja sobre uma triste vida, mas que, incrivelmente, seja capaz de incitar à vontade de viver.

Meu livro não tem capa, não tem cores, apenas uma aquarela que, no máximo, é a variação de sépia entre o preto-e-branco e o colorido. No entanto, tem sentimentos, tem ações (boas ou ruins, mas tem). Pensando bem, acho que é o livro de minha vida, tão irreparável e contida vida.

Um dia, um dia qualquer, hoje, amanhã, ou quase nunca, não sei...um dia talvez eu decida o seu nome, mas por enquanto; enquanto há tantas indecisões e versos sem rimar, e sem uma construção particular, hei de manter-me em sigilo, em vigilância – mesmo com ânsia – pois há muitos grilos cantando e rindo nos verdes da vida. Socorro! Socorro! Meu livro não tem capa (nem nome)! Como o venderei?...rsrsrs


By Junior Magrafil / Termos de Uso.