quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

CONTO: O Sonho do Apanhador de Sonhos


Conto: O Sonho do Apanhador de Sonhos

Se houvessem sonhos eu seria incrível. Afinal, meu trabalho é esse: os sonhos são importantíssimos pra mim, são minha renda – minha fonte de recursos. Mas que loucura! Como, eu, que vejo tantos sonhos a todos os momentos posso tratá-los com tanta frieza? Tratá-los como objeto, como apenas um meio de subsistência?
Ah! Mas há detalhes: por isso eu disse “se houvessem sonhos”. Por que disse isso? Apesar de minha ignorância, posso afirmar o que direi porque tenho experiência com sonhos há muito tempo, então, sonhos não são simples desejos ou vontades, como praticamente todo o planeta, em uma quase unanimidade, pensa. Sonhos são realidades paralelas, talvez, porque são nossa imaginação, são o sentimento da alma e do coração – algo tão pessoal, tão puro, tão lindo, que jamais deve se misturar à definição de apenas “desejo”. Desejo é algo que quando temos, usufruímos e, logo, pronto (puft!), acabou toda a magia – não se quer mais, já se quer algo a mais.
Os sonhos poucos têm, porque, justamente, poucos sonham e muitos desejam. Os sonhos não são capitalistas férreos, são construtores de paz e de esperança.
Meu objetivo, como um apanhador de sonhos, não é apanhá-los e guardá-los, simplesmente. Seria fútil fazer só isso. Mas aprender com eles e encaminhá-los para a realização. Porém, como posso aprender com os sonhos se só o que recebo são desejos camuflados de sonhos (e ainda sem fundamento), apenas enganação? Como posso aprender a pureza dos sonhos se descarregam sobre mim somente desejos (e muitos que prejudicam outros)? Como posso? Como?
Meu sonho é aprender a sonhar, é conseguir sonhar. Sonhar o mais belo sonho. Como uma canção de amor, entende? Uma canção. Uma bela, suave, tranqüila e perfumada canção. Com cheiro e gostinho de goiabada. De goiabada? Sim. Esse é o meu sonho: sonhar uma linda canção, que possa se repetir em minha alma sem que eu jamais me canse dela. Que possa se repetir e alcançar outros corações.

2 comentários:

  1. Hehehe
    meu riso é quem me precede... qndo eu venho ele faz sinal e diz lá vem o Sau... Amei teu texto... talvez eu nunca tenha pensado desta forma a respeito do sonho... acho que vou tomar essa verdade pra ser minha. Imagina poder ao inves de oferecer a alguem, presentes materiais, oferecer um sonho. Imagina o quao isso eh profundo, doce, ("amei o gostinho de goiabada), esse é um abom sabor pra retratar. Toh de acordo! Agente um dia ainda consegue fazer essa coisa de viver direito!

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  2. Nossa Muito bom escritor vc...Muito bom msm

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By Junior Magrafil / Termos de Uso.